sábado, 2 de outubro de 2010

Coisas que te fazem ganhar o dia

"Fhoutine,

adorei as duas matérias. Seu poder de síntese é fantástico! E olha que eu falo muito...rs O texto é leve, elegante, com a densidade e propriedade equilibradas. Coisa rara na imprensa atual... Obrigado pelo respeito que vc tem pelo pensamento de seus interlocutores".

Recebi essas palavras de um colega cientista político que entrevistei duas vezes para falar das eleições. Fiquei emocionada e torço pra que isso seja uma predição de sucesso nesse negócio. Há alguns anos eu havia deixado o jornalismo e isso sempre foi uma coisa que ficou mal resolvida pra mim. Agora estou de volta e descobri que gosto. Foi difícil, estou tendo que aprender tudo de novo, com uma sensação de estar 10 anos atrasada, mas ao mesmo tempo com uma empolgação de recém-formado. Uma foca de 30 anos.

Essa experiência tem me feito repensar muitas coisas sobre mim e sobre o que quero da vida. Não sei qual vai ser meu futuro nisso. Mas espero que dê certo dessa vez.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Quer perder peso? Pergunte-me como!

Não existe receita mágica pra emagrecer. Ah, jura? Pois é. Parece lugar-comum, mas quando comento que perdi 8 kg recentemente várias pessoas me perguntam o que eu fiz, como se esperassem uma fórmula milagrosa. Juro que penso em dizer que estou nos transtornos alimentares ou que estou fazendo a dieta Kate Moss (alimentos em pó). Quando respondo que fiz o que funciona, exercício e reeducação alimentar noto uma certa decepção. Não raro, alguns dizem “Bem, todo mundo sabe o que fazer pra perder peso...”. Mentira! Se fosse simples assim todo mundo seria magro. A gente está saturado de besteira que ouve dos outros e lê por aí. Quem nunca achou que os carboidratos são o terror de quem quer emagrecer? Ou acha que deve passar fome e cortar qualquer pecadinho se quiser manter a forma? Ou mandou ver no azeite porque dizem que ajuda a perder barriga e combate o colesterol?

Este texto contém algumas dicas que podem ser úteis nesse processo, coisas que eu aprendi com a minha experiência.

1- Não, você não sabe tudo.

Comer direito é simples, sim, mas a gente tem que saber combinar quantidades e qualidades dos alimentos. Eu aprendi isso com a minha nutricionista. Aprendi que não só posso, como devo comer carboidratos ao longo de todo o dia, inclusive à noite. Que alguns alimentos como as leguminosas (feijão, lentilha, grão de bico) são riquíssimos em nutrientes e normalmente ficam de fora das dietas tradicionais, mas devem ser consumidos em quantidades específicas. Que peito de peru não é necessariamente a coisa mais saudável do mundo. Que frutas devem ser ingeridas, sim, mas nas quantidades e horários certos.

Enfim, o mais legal de fazer um acompanhamento nutricional é a dieta é montade de acordo com o seu dia-a-dia, com as suas necessidades nutricionais e vai variar se você faz exercícios ou não, o que faz, quanto faz, como é a sua rotina. E saber se perdeu gordura, ganhou músculo. Saber que as medidas estão diminuindo é mara!

Não sei porque algumas pessoas têm resistência a isso. Você não vai à manicure porque fica melhor do que quando faz as unhas em casa sozinha? É a mesma coisa. Vale muito a pena e nem é tão caro. Porque ser magra não tem preço.


2- A comida do mundo não vai acabar hoje.

Acho que esse é o principal desafio, saber que não é preciso comer igual um animal só porque há comida disponível. Mas é isso que você precisa fazer se quiser se manter magra. Aniversário? Natal? Casamento? Bocas-livres em geral? Você não precisa comer tudo o que está sendo servido! Lembre-se, isso é coisa de gordo. Escolha um prato e uma sobremesa. Pronto. Outro dia você prova as outras coisas. Na formatura dos meus irmãos optei por beber. Muito. Por isso apenas jantei e dispensei todo o bufê de sobremesas. Havia vários pratos salgados, mas eu optei por um e não repeti.

O que não dá é pra pensar “já que estou aqui vou meter o pé na jaca logo”. Não! Pára com isso, sua gorda! Quer comer um doce? Escolhe um e manera na quantidade. Não é fácil, mas uma hora você se acostuma.

3- Não coma isso!

Comer é bom e eu gosto. De vez em quando me jogo em num bom risoto, um filé suculento ou uma bela massa. E um docinho também, porque eu sou filha de Deus. Já que é pra engordar, que valha a pena. Não vá sair da dieta com fritura, salgadinhos industrializados, se entupindo de amendoim ou azeitona ou tomando refrigerante com açúcar. E por favor, não coma McDonalds. Você não é mais criança, pelo amor de Deus! Se você gosta de hambúrguer vá a uma lanchonete decente que faz sanduíches de carne de verdade. E passe longe das batatas fritas! Não valem a pena.

4– Não minta pra si mesma.

O último mandamento da mulher magra é o mais importante. Você precisa conhecer até onde vão seus limites e se conhecer muito bem, senão nada disso vai dar certo. Eu poderia estar mais magra se não gostasse tanto de tomar cerveja. Mas faz parte da minha rotina, então encontro mecanismos pra não deixar que arruíne meu regime, o que acaba significando comer um pouco menos. Da mesma forma, quando estou indo bastante na academia, aproveito pra comer um pouco mais. Não adianta ficar beliscando o tempo todo e achar que a dieta não funciona. Ou entrar na tática do vou comer só mais um pedacinho e achar que isso não terá consequências no seu regime. Abusou? Reconheça e recomece.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Amigos primeiro

Hoje eu vi o ex-namorado de uma amiga numa pauta. Tava diferente, vestido de um jeito engomadinho, roupa de trabalho. Mas era ele. O cara que partiu o coração da minha amiga. Logo, não gosto dele. Estava torcendo pra que ele me cumprimentasse, que dissesse "Oi, lembra de mim?" porque eu ia responder "Eu sei quem você é, palhaço".

Ok, talvez eu não arrematasse a frase com "palhaço", eu só queria que ele sentisse o meu desprezo. Mas ele, antipático como sempre foi, fingiu que não me conhecia. Minha amiga se livrou de uma boa. Também queria ter dito isso a ele. Contive-me. Ultimamente eu ando assim, contida. Mas continuo ficando com raiva de qualquer pessoa que parte o coração de quem eu amo.

Eu não sou uma pessoa racional, que separa as coisas, diplomática. Eu me envolvo, tomo partido, amo apaixonadamente e, obviamente meus amigos estão aí incluídos. Isso significa virar a cara pro ex da amiga, ficar puta com quem deu um pé no meu amigo e ser parcial mesmo. Amigos primeiro. Sempre. . E os meus podem contar comigo pra tudo, inclusive pra xingar seus ex.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Carta ao pai

Papai querido,

Hoje faz 3 meses que você partiu. Tantas coisas aconteceram desde então e todos nós sentimos tanta saudade. Álvaro e Pauline se formaram na semana passada. Foi muito emocionante e sabemos o quanto o senhor teria ficado orgulhoso com seus dois filhos médicos, que não caberia em si tanta alegria. Posso imaginá-lo dando pulos de alegria e dançando sozinho, como fazia quando estava bem contente.

Mudei de emprego, voltei a trabalhar como repórter e estou feliz. Estou cobrindo política. . Eu nunca te disse isso, mas provavelmente foi por sua causa que eu comecei a gostar dessas coisas. Fico imaginando como seria chegar no apartamento depois de vir de uma pauta e comentar as notícias da campanha eleitoral e sinto muita saudade.

Quando o senhor se foi várias pessoas tentaram me consolar dizendo que o senhor está bem agora. Eu tento acreditar nisso porque você tinha muita fé. Então eu espero de verdade que depois da morte todo mundo tenha o céu que imaginou e que você esteja agora correndo com o Toby e o Zara, que tenha abraçado a vovó, a sua irmã e que esteja perto de Deus. A única coisa que eu sei é que quando você se foi acabou o sofrimento, que era demais pra suportar. Isso sim é algo que conforta.

Estamos tocando a vida. Um dia de cada vez. Já não dói tanto, mas desconfio que vai doer sempre. É difícil aceitar que nunca mais vamos conversar, que eu não vou mais te ver rindo ou reclamando dos livros que eu te roubava. E é incrível como as desavenças, que não foram poucas, desaparecem da memória, que reaviva só o que importa. Quando entravas no nosso quarto à noite para nos cobrir e rezar pra que Deus nos protegesse. Teus filhos vão bem, pode ficar tranquilo. E pode ter certeza que nunca vamos te esquecer.

Da filha que te ama,

Fhoutine

domingo, 1 de agosto de 2010

Porque amanhã é segunda-feira

* Manter a dieta rigorosamente nos próximos 15 dias. (Vai ser difícil porque vou viajar e adoro café da manhã de hotel. E tem a cerveja também, porque afinal, esse é um dos propósitos dos congressos. Ai, Deus.)

* Praticar atividade física 4x por semana. (Tenho ido só 2 ou 3 vezes. Tenho trabalhando tanto, vivo tão cansada... Ai, Deus.)

* Não ter preguiça de tirar a maquiagem e limpar o rosto antes de dormir.

* Não dormir de lente.

* Marcar consulta na dermato. (Ela vai querer que eu pare de tomar sol e eu não vou obedecer, igual não obedeci a nutri que queria que eu parasse de beber. Ai, Deus).

sexta-feira, 9 de julho de 2010

12 anos

Outro dia eu estava na academia quando ouvi o instrutor comentar, horrizado, a respeito da conversa das menininhas de 12 anos que frequentam o local. Segundo ele, as meninas só falavam de roupas, cabelo, da casa que o pai tinha na praia e em como elas iriam arrasar. Fiquei pensando em como eu era aos 12 anos: super interessada em política por causa do Impeachment, melhor aluna em Português e História, o ano em que fiz o meu primeiro jornalzinho no colégio. Eu obviamente não arrasava. Ao invés disso ficava escrevendo versinhos pra meninos da escola que nunca me olharam na cara.

Foi nessa época que comecei a pensar na profissão que tenho hoje, o que me faz pensar que se não fosse o ano de 1992, talvez hoje eu fosse uma advogada, como queria meu pai, e a essa hora estaria usando lindas bolsas e sapatos caros ao invés de ganhar pouco e sacolejar em todo o sistema de transporte público de São Paulo durante 2h pra ir trabalhar nem teria uma dívida gigantesca com a faculdade em que faço doutorado.

Corta pra 2004, o ano que não terminou. O ano em que meu pai infartou, que fiquei seriamente deprimida e que não sabia se queria continuar morando em São Paulo ou mesmo sendo jornalista. Pedi demissão do jornal que trabalhava pra ir pra Belém colocar a cabeça no lugar e entre uma coisa e outra, me apaixonei pelo homem que hoje é meu marido. De lá pra cá "abandonei" o jornalismo, fiz mestrado, análise, me casei, meu pai ficou doente.

Seis anos, finalmente o ano de 2004 começa a ter um desfecho. Meu pai se foi, mas consegui lidar com isso sem enlouquecer. A questão do jornalismo, que nunca ficou muito bem resolvida na minha cabeça agora está mais clara: não gosto de assessoria e espero não ter que fazer isso de novo. Mas, ironia do destino, redescobri que gosto de redação justamente voltando ao jornal de onde pedi demissão em 2004. O mais espantoso é que sento exatamente no mesmo lugar que antes.

Desde que vim pra São Paulo minha vida deu muitas voltas. Eu cheguei aqui e entrei no curso de treinamento de um dos maiores jornais do país, achei que seria uma super jornalista e pouco tempo depois não queria mais saber disso pra me dedicar à vida acadêmica. Mas eu nunca soube com certeza se esta era uma decisão consciente ou se era porque eu não tinha conseguido ser bem sucedida nesse meio por causa do meu imenso desequilíbrio emocional.

Como eu tenho muita imaginação, sempre pensava que se "Eu aos 24" encontrasse "Comigo aos 30" provavelmente me acusaria de ter arruinado a sua vida e diria "Olha pra você nessa vida careta!". Levou algum tempo pra perceber que era "Eu aos 30" que deveria perdoar a menina de 24 anos que estava perdida de mais pra se dar conta de tudo que estava acontecendo naqueles dias. Como nessas coisas que se vêem nos filmes, tive uma rara oportunidade de recomeço que espero ter estrutura o suficiente pra aproveitar.

E quando penso em tudo isso, em mim fazendo doutorado, cobrindo política, casada, com meus gatos, me dando bem com a minha família de sangue e minha família adquirida, cheia de amigos, sendo feliz, só me ocorre que aquela menina de 12 anos ficaria bem satisfeita se me visse hoje.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Do samba e do amor

Meu pai era do samba. Bastava ouvir um repique, mesmo na televisão, que se assanhava todo. Fundou blocos de ruas quando era novo e enquanto teve saúde, saía na bateria da sua escola do coração, os Piratas da Batucada, mais conhecida como "Piratão". Ele tocava tarol. Lá ele era o Paulão da Caixa.

Domingo, quando voltava do enterro, eu pensei que o velório do meu pai tinha sido como a despedida do Bené, no filme Cidade de Deus. Porque não faltou ninguém: os parentes, os libaneses, os engravatados, os colegas de juventude, o povo da igreja e, como diz minha mãe, os cachaceiros. Levaram a bandeira do bloco que meu pai ajudou a fundar, que depois virou escola de samba (da qual ele chegou a ser presidente, pro mais completo desespero da minha mãe, que dizia que daqui a pouco ele ia virar bicheiro). E claro, a bandeira do Piratão.

Meu tio, primo-irmão, companheiro de samba e de cachaça, veio me pedir pra colocar as bandeiras sobre o caixão. Foi então que eu tive a melhor idéia dos últimos tempos: convocar uma batucada pro enterro. Queria que meu pai descesse ao túmulo ao som do que ele amava. Porque apesar da depressão dos últimos anos, meu pai não era uma pessoa triste, ele era alegre e era assim que queria me despedir dele.

Pena que só pensei isso pouco antes do carro fúnebre chegar e não deu tempo de reunir a bateria. Mas isso fez minha mãe e meus irmãos sorrirem. No carro, a caminho pro cemitério, eu cantei pra eles "É melhor ser alegre que ser triste, a alegria é a melhor coisa que existe, assim como a luz do coração". E depois chorei, porque era meu pai que estava sendo enterrado, porque eu nunca mais vou vê-lo tocar sua caixa imaginária quando anunciarem o carnaval. E também porque como disse o Vinícius, "pra fazer um samba com beleza é preciso um bocado de tristeza, senão não se faz um samba, não".