segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Lady Murphy

Eu juro que não quero me deixar abater, quero dar às coisas seu devido peso e ser uma pessoa mais pra cima, mas acho que a Lei de Murphy não só me persegue, como no meu caso ela tá mais pra encosto.
Primeiro eu fui a São Paulo resolver uns problemas e simplesmente tudo deu errado, a começar pelo despertador que não tocou. Aí o meu gato desaparece, eu fico doente no dia que meus pais chegam na cidade e também no dia que estou começando uma nova dieta e tenho um texto de qualificação pra reescrever.

Acho que eu vou precisar de uma daquelas garrafadas das tias do Ver-o-Peso.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

A terra do meu coração

Eu adoro São Paulo. Estou aqui há quase seis anos. Cheguei morrendo de medo, não conhecia a cidade, não tinha amigos e vinha de um lugar que eu amava, onde tinha amigos maravilhosos. Aos poucos a paulicéia desvairada conquistou meu coração e hoje eu não me imagino morando em outro lugar. Contudo, Belém sempre será a terra do meu coração. Não é porque eu nasci lá, porque nesses meus quase 29 anos de vida eu morei em Belém muito pouco. Nem é porque amigos muito queridos moram lá, porque eu também tenho amigos maravilhosos aqui. É simplesmente porque Belém é uma cidade incrível.

Não sei explicar Belém. Posso ficar horas falando do pôr-do-sol mais bonito do mundo na Estação das Docas, das cores e sabores dos sorvetes Cairu, de como a culinária paraense é divina e como as pessoas se relacionam de um jeito mais caloroso e peculiar. Nada disso chega perto de descrever a cidade, nada disso explica porque meu coração se enche de alegria quando caminho pelos corredores de mangueiras da Praça da República e da Avenida Nazaré ou porque eu olho pra aquelas ruas muitas vezes esburacas e sujas e me entristeço por ver a minha cidade tão descuidada.

Toda vez que vou a Belém desde que me mudei pra cá - e infelizmente foram poucas vezes - eu pergunto por que diabos eu saí de lá. Se nunca tivesse saído talvez estivesse louca para integrar a leva dos paraenses que todos os anos vêm em Êxodo para São Paulo. Não sei, nunca vou saber. O que eu sei é que vir pra cá mudou tudo e mil coisas não teriam sido possíveis. Foi aqui que eu mudei meu modo de ver as coisas. Foi aqui que eu encontrei paz de espírito (um pouco, pelo menos). Foi aqui que conheci meu marido. Foi aqui que eu resolvi que queria fazer outras coisas da vida. Eu tenho sido muito feliz aqui, mas, por razões que eu não sei explicar muito bem, Belém sempre será para mim um lugar mágico. A minha Passárgada. Inclusive porque - e eu já disse isso outras vezes - lá eu sou amiga do Rei.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Pro inferno, reformistas!

Tenho poucas certezas na vida. Uma delas é que eu sei escrever. Eu não só escrevo claramente, eu escrevo certo (pelo menos quando eu tenho paciência de revisar meus textos, o que não acontece com muita freqüência neste blog). Mas isso foi até reformarem a Língua Portuguesa e arrancarem de mim um dos meus poucos motivos de orgulho.

Essa reforma é ridícula, pra dizer o mínimo. Com a desculpa de "padronizar" o idioma na meia dúzia de países em que o Português é a língua oficial acabaram dilacerando a última flor do Lácio. Ou sou só eu que sinto os dedos do pé encolherem ao pensar que agora não se acentuam mais os ditongos e que teremos de escrever "ideia" ao invés de "idéia"? Isso e outras atrocidades como colocar hífen onde não existia (antiinflamatório vira anti-inflamatório) ou retirar o acento diferencial de algumas palavras (não há mais diferença entre vêm e vem).

O que vai acontecer é que as poucas pessoas que sabiam escrever corretamente vão ficar perdidas e as que não sabiam vão ficar completamente confortáveis para assassinar a já castigada Língua Portuguesa. Só quem vai vai lucrar com isso serão as editoras, que terão toneladas de livros didáticos para adaptar, livros esses que - adivinhem só - serão comprados pelos governos para serem distribuídos nas escolas públicas. E os livros não-didáticos, cujos preços já estão pela hora da morte, serão acessíveis apenas para milionários.

Desnecessário dizer que Fernando Pessoa, Camões, Drummond, Machado de Assis e todos os grandes escritores desta língua maravilhosa estão todos se revirando em seus túmulos. Fico curiosa em saber o que Saramago acha disso. Da minha parte, além do meu horror estético, há a revolta de ter de aprender a trucidar este idioma que amo tanto, porque é com ele que eu ganho o pão integral diet de cada dia.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Um ano bom

2008 foi um ano muito bom, apesar de todos os momentos difíceis que incluíram a cirurgia do meu pai, a viagem de campo do meu marido e a morte prematura do meu primeiro gatinho, Caramelo. Mas foi bom porque o meu pai se recuperou, meu marido voltou pra casa bem e ainda mais bonito e eu conheci um novo amigo felino, o Zara. Tive alguns surtos dignos de personagens Almodóvar, mas no geral acho que consegui manter a cabeça no lugar. Mudei pra uma casinha legal, parei de fumar, voltei a praticar natação e descobri que realmente gosto de fazer exercícios. Tive minha qualificação de mestrado, consolidei laços com pessoas que já eram queridas mas ainda não eram propriamente amigas, dancei, escrevi, tomei sol, enfim, muito mais coisa boa que ruins.

Uma das coisas ruins foi que meu computador deu problema e isso me obriga a usar o do meu marido. Tenho backup, claro, mas só dos trabalhos acadêmicos e da minha obra literária "séria". Isso me chateou um pouco porque eu havia escrito uma crônica ótima pra começar o ano e ela está lá, inacessível. Paciência. O que eu queria dizer é que no ano passado eu tive alguns momentos bem difíceis, mas o que me fez pensar nesse ano de maneira tão positiva foi o modo como eu me movi no meio do caos. A vida é assim, não?

Deste modo, começo este ano cheia de alegria e de energia pra fazer mil coisas. Tenho presentimentos que este ano será glorioso, que a vida será gloriosa como tem sido desde que eu parei de ter medo de viver. É isso.

domingo, 28 de dezembro de 2008

Chega de comilança!

Desde o dia 13 de dezembro entrei num ciclo de comemorações que além do Natal incluíram, aniversários, churrasco, casamento, confraternizações e almoços em família. Acho que não fiquei mais de 3 dias sem uma orgia gastronômica, que sempre é agravada pelo grande volume de bebida alcoólica disponível nessas ocasiões e que eu obviamente não deixo passar. Hoje, antes de ir pra academia fui me pesar e vi que ganhei quase 2kg. Pedi pro meu instrutor intensificar meu treino. Acho que vou passar a ir duas vezes por dia até essa época infernal acabar.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

O milagre do Natal

Nos últimos 10 dias fui a um casamento, dois aniversários, um churrasco, duas ceias e um almoço de Natal. O prejuízo foi de apenas um quilo extra, porque afinal de contas, agora eu sou uma esportista.

Tanto sacrifício deve ter feito com que Jesus me presenteasse com um pequeno milagre. Senhoras e senhores, é com muita alegria que vos informo que voltei a vestir P.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Vegetando

Eu confesso: gostaria de ser vegetariana. Acho chique. Minha amiga me disse que chique é comer um filé mal-passado num restaurante fino. Concordo. Mas como tenho pouco dinheiro, meu padrão de finesse é um pouco mais baixo. Há mil razões pelas quais as pessoas param de comer carne que vão de simpatia para com os animais a uma postura política anticapitalista, passando por preocupações com a saúde e o meio ambiente. E tem a moda também. Tem. Conheço vários vegetarianos, a maioria tem dó dos animais ou critica a indústria da carne, ou as duas coisas, mas tem uma meia dúzia que o faz porque é cool. E eu, dentre todos os motivos que existem para isso fui escolher o mais fútil.

Mentira. Não é só porque eu acho chique. Acho comida saudável uma delícia! Há muitas possibilidades alimentares quando você deixa de pensar que uma refeição tem que ser composta de um carboidrato, uma salada e uma carne. E os vegetarianos sabem disso como ninguém e são supercriativos na hora de cozinhar. Usam mil temperos diferentes, misturam ingredientes, preparam de forma inusitada. Engana-se quem acha que ser vegetariano é ficar refém da soja. Um dia desses eu jantei um hambúrguer de lentilha e de sobremesa, um alfajor. Ambos eram feitos sem nada de origem animal, ou seja, veganos. E pra minha surpresa, uma delícia.

E tem a saúde também. Sempre achei isso meio babaca, mas depois que alguém da sua família tem câncer você começa a dar importância a certas coisas. Parei de fumar, comecei a praticar exercícios regularmente e melhorei minha alimentação. Agora começo a me sentir próxima para dar o próximo passo.
O grande problema é a minha antipatia. Ao mesmo tempo que eu acho chiquérrimo ser vegetariano, acho os vegetarianos um pé no saco. Mesmo os mais legais (leia-se, meus amigos) me dão nos nervos de vez em quando com sua atitude de superioridade chamando os demais de “carnívoros”. O ar de superioridade eu entendo totalmente, mas não a burrice. Carnívoro é o leão, que caça e come suas presas ainda com o sangue quentinho, só isso, nada de saladinha ou um pãozinho pra acompanhar. Isso quem faz é o ser humano e o nome correto é onívoro.

Enfim, eu ainda tenho que pensar direito nisso. Sei que jamais serei vegana, porque a vida sem queijos e demais laticínios não teria muito sentido para mim. Mas acho que viveria bem sem carne. Seria duro ir a um churrasco e ter que deixar passar aquela picanha tenra e ainda levemente sangrenta. Ou ir a Belém e não me esbaldar nos peixes e camarões. É, pensando bem, acho que o máximo que eu poderia almejar seria me tornar “peixetariana”. Ou então deixar tudo como está, já que eu como bem pouca carne no meu dia-a-dia mesmo. O que eu queria com isso era ter legitimidade pra por aquele “V” na minha foto do Orkut. Chique no úrtimo!