sexta-feira, 7 de novembro de 2008
Obama e a festa da democracia
Por essas e outras é que me fiz anarquista. Desculpe, mas eu tenho uma grande dificuldade em acreditar em histórias da carochinha do tipo "Estado de Natureza" e "homem lobo do homem". Não acredito que as pessoas tenham a priori uma essência boa ou ruim. Há gente muito bacana e gente muito filha da puta no mundo e acredito que a maioria de nós oscila entre as duas coisas. Mas não me diga que a única coisa que impede que eu lhe mate é a possibilidade de ir pra cadeia, que se não houvesse a poliça estaríamos numa "guerra de todos contra todos". Isso me ofende.
Mas não era disso que eu queria falar. Eu queria falar do Obama. Achei o máximo o discurso da vitória estilo Dr. King e as matérias da televisão mostrando imagens da comemoração ao som de "Beautiful Day", do U2 ou "Changes", do Bowie. E a reação das pessoas pelo mundo, chorando, cheias de esperança. Sério, nessas horas eu sinto até inveja dessa crença no processo democrático e quase me ressinto por ser uma descrente. O que me consola é que daqui a pouco passa, porque ao contrário do que dá entender a televisão, o mundo não vai mudar. Infelizmente.
segunda-feira, 3 de novembro de 2008
O cão subiu no telhado
P.S. Meu gatito passa bem, obrigada.
domingo, 19 de outubro de 2008
O amor, a amizade e tragédia
_____________________________
Entre o amor e a amizade, não tenho a menor dúvida. Fico com a segunda. Nunca duvidei da superioridade da amizade sobre os relacionamentos amorosos de qualquer tipo, inclusive os familiares. Os laços do amor são pesados e causam dor. A verdadeira essência dos relacionamentos e eu diria até, a alegria da vida e tudo o que há de bonito está na amizade. Mas nós fomos educados na cultura do amor romântico e tendemos a hierarquizar, colocar o amor como a utopia principal da vida.
Eu cuspo no amor romântico. O amor romântico é um tirano que quer tudo para si e que o tempo todo se põe à prova mediante a renúncias e prioridades. Eu quero que você abra mão de seus desejos, eu quero que você faça as minhas vontades, eu quero que você deixe seus amigos e sua família de lado para ficar comigo. Em nome do amor romântico facilmente abrimos mão de tudo o que é nos é importante. Terminamos amizades de anos por conta de alguém com que estamos saindo há três semanas. Deixamos ideais de vida, família, tudo em segundo lugar por conta desse monstro egocêntrico. E ai de você se não largar tudo por causa do amor romântico. “É porque você não ama de verdade”, diz o mundo.
A amizade não reside na ruína. A amizade se fortalece na multiplicidade e não esmorece com o passar dos anos. A amizade não é dois, a amizade é muitos. É o amor em liberdade. O amor familiar não é senão a amizade entre os entes. Não os amos porque temos o mesmo sangue, os amo por causa do que construímos ao longo da vida. Eu os amo porque somos amigos. Os amigos são a família que escolhemos. Não são impostos, como pai, mãe, irmãos, colegas de classe, colegas de trabalho e todas as pessoas que de um jeito ou de outro somos obrigados a conviver.
Quando um amor acaba as pessoas só permanecem ligadas se houver amizade. Sempre me espanto com casais que passaram anos juntos e depois vai cada um pro seu lado, como completos estranhos. Eram amantes, nunca foram amigos. Do mesmo modo, as pessoas ficam com raiva de um ex-namorado, mas nunca se ressentem quando alguém magoou ao seu amigo. Ninguém quer se meter, ninguém se envolve, ninguém quer sentir nada. E são as mesmas pessoas que se dão o direito de julgar o quão verdadeiro é o seu amor.
Não vou dizer estou imune às armadilhas do amor romântico. Não fui criada em outro planeta. Mas jamais terei dúvidas de que amor é só uma palavra e que a amizade é o que há de mais belo e importante na vida.
quinta-feira, 16 de outubro de 2008
Mr. Simpatia
Na mídia nacional a situação é cômica, porque a torcida por Obama é tão clara que chega a ser constrangedora. Aí tome manchetes sobre o quanto ele está subindo nas pesquisas de intenção de voto, no quanto ele é carismático e popular e ninguém se liga que o sistema eleitoral estadunidense não é igual ao brasileiro. Aliás, quem entende minimamente de política sabe que em eleição tudo é possível. E depois do escândalo na eleição Bush em 2000, aí é que tudo pode acontecer mesmo.
Mas está todo mundo encantado pelo charme do Obama, porque ele é magro, alto e tem um sorrisão bonito. E todo mundo acha que o mundo está menos reacionário porque existe a possibilidade dos EUA terem um presidente negro pela primeira vez. Eu não sei você, caro leitor, mas pra mim o fato de fazerem estardalhaço pelo fato de um negro conseguir alguma coisa pra mim é outra face do racismo. Porque por mais simpático que este candidato seja, basta prestar atenção no discurso dele pra ver que ele não é muito diferente dos outros.
Exemplo: McCain é radicalmente contra o aborto; Obama é a favor quando a gestação oferece risco para a mãe. Ou seja: cara pra dizer que é pro-choice ele não tem. Mas essa nossa imprensa burra e palpiteira fica toda empolgada com o carisma do cara, porque pensa por analogia, não sabem que nos Estados Unidos as eleições não são personalistas como aqui, que lá as pessoas votam muito mais no partido que no candidatos, etc.
Eu simpatizo com Obama, mas não tenho a menor ilusão uma eventual vitória dele vá trazer grandes mudanças nem pros EUA, nem no modo como este país se relaciona com os demais. Porque a democracia é isso mesmo: democracia é processo de alternância de poder, não serve pra mudar nada. O resto é papo de marqueteiros ou de militantes tolinhos.
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
Homens, esses palhaços
Tinha uma amiga que dizia que homem gosta é do cheiro de outro homem. É por isso que quando estamos sozinhas não aparece nada, mas basta você estar sendo bem-amada e bem-comida pra eles aparecerem feito abelhas no mel. Principalmente ex-namorados palhaços.
Eu sou amiga de quase todos os meus ex-namorados. Acho bizarro não ser. Afinal, você passa meses ou anos com uma pessoa divindo mais do que a cama, você divide a sua vida, aquela pessoa se torna seu melhor amigo, seu maior companheiro. Daí um dia pro outro vocês se cruzam na rua e se cumprimentam como dois estranhos. Não, não dá, isso é coisa de gente louca. É um princípio. Claro que muitas vezes você perde o contato ou vai mudando e não tem mais nada em comum e se afasta, mas em geral eu tenho ótimas relações com eles, a não ser que se portem como idiotas como os casos que relatarei abaixo.
Esses dias um ex-ficante da minha adolescência surgiu no meu Orkut. Fiquei com esse cara algumas vezes quando eu tinha 16 anos e voltamos a nos encontrar na faculdade. Ele estava se formando e eu era caloura no mesmo curso. Trocamos olhares, flertezinhos leves, mas por uma série de desencontros não rolou de ficarmos de novo. Normal. O tempo passou e cada um seguiu seu caminho, ele continuou morando na mesma cidade, casou com uma mulher que eu conheço de vista e até tatuou o nome dela do pé (cafonérrimo, mas enfim). Eu vim pra São Paulo, mudei de rumo e casei também. Nunca fomos amigos, mas sempre nos cumprimentamos, afinal somos pessoas educadas.
Da última vez que fui a Belém, há 2 anos, ele passou com a mulher por mim, que estava com meu então noivo. Nos cumprimentamos de longe, clássico "Oi, tudo bem?" e só. Aí ele me adiciona no Orkut e eu achei estranho, afinal faz anos que a gente não troca duas frases, mas sei lá, temos um milhão de amigos em comum e não precisa ser amicíssimo pra adicionar no Orkut, né? Aí hoje eu vejo um scrap dele: "Oi, tudo bom?". Como assim, Bial? Será possível que este moço está de gracinha mais de 10 anos depois? Bem, como dizem as moças do blog aí dos links, Homem é Tudo Palhaço, eu não duvido de nada.
Uma vez eu reencontrei um ex pela internet e estava conversando com ele superanimada, feliz de termos nos reencontrado, afinal ele era um cara muito gente boa. Ele me contou que estava namorando, que ia morar com a menina, que estava tudo indo bem. Lá pelas tantas o palhaço começa a querer relembrar via MSN os momentos tórridos do namoro. Posso com isso? Seis anos depois o palhaço que acabou de me contar que vai morar com a namorada diz que nunca esqueceu nossos "momentos felizes". Claro que eu surtei, falei pra ele que me respeitasse, que respeitasse a própria namorada eu quando me lembrava dele pensava com carinho e achava péssima aquela conversa. Aí ele disse que homem é assim mesmo, mais safado.
Tivemos uma super briga via internet e fiquei mais 2 anos sem saber dele até a semana passada, quando, advinhem só, ele se separou da mulher e me procurou pra conversar no MSN. Eu dei a maior força, claro, deve ser terrível terminar um casamento. Mas confesso que a meus sentimentos em casos assim ficam entre a vaidade e a raiva, afinal são dois homens muito interessantes e eu fico me sentindo quando eles vêm atrás de mim anos depois. Mas, porra, precisa tomar uma bota pra querer ser meu amiguinho? Eu me considero uma boa amiga, mas desconfio muito de homens que só aparecem quando estão solteiros. E acho um pouco falta de respeito, afinal, que parte do anel de ouro na minha mão esquerda não deu pra entender?
Aí quando eu surto sou eu que sou mal-educada, doida, desequilibrada. Bom, eu sou um pouco tudo isso mesmo. Mas tem como não ser?
sexta-feira, 10 de outubro de 2008
Com a palavra, Shakira
there's an endless story,
there's the man I chose,
there's my territory,
and all the things I deserve for being such a good girl.
Uma última palavrinha sobre Lost
Ao que parece os roteiristas não primaram pela sutileza ao fazer dessa série um libelo contratualista. Tudo justifica o Estado e a constituição da autoridade. Se um dia você for parar numa ilha esquisita logo vai aparecer alguém pra se apropriar das coisas e criar um mercado e as pessoas vão precisar de um líder, porque ou elas vivem juntas ou morrem sozinhas. E precisam de armas também, porque no "estado de natureza" o ser humano é hostil e sai matando sem motivos.
Bem, isso está presente em diversos produtos culturais, é assim que as idéias se fixam de modo que a gente sea convencido a pensar que o Estado e a organização social que conhecemos não é a melhor coisa do mundo, mas é a melhor coisa que inventaram e aí nem ousamos experimentar outra coisa. Em Lost isso não é só interpretação de uma anarquista doida, basta ver que os personagens fodões são os contratualistas e que o único anarquista da história era um doido Highlander corrompido pelo lado negro da força. Se isso não é uma bela forma de avacalhar a anarquia, eu não sei o que é .
Resta agora saber como o utilitarismo de Bentham vai entrar nessa história. Aguardo pelas próximas temporadas ansiosíssima.
