sexta-feira, 3 de outubro de 2008
Como assim, Bial?
Papo de roqueiro velho
É claro que eu reclamo, mas irei. Na verdade isso é mais uma frustração antecipada que um resmungo. Vamos torcer pra que eles mudem de idéia.
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Ontem eu assisti ao VMB na companhia online de um amigo igualmente old school. A maior parte da cerimônia foi deprimente e lamentável, vergonha alheia pública com direito a playback (e vaiais) na apresentação do Bloc Party e uma inacreditável (pra dizer o mínimo) cena de masturbação da vocalista do Bonde do Rolê durante a apresentação do grupo.
Perguntei ao meu amigo se quando a gente era mais novo tudo já era uma merda e ele me disse que não, que quando tínhamos 20 anos a internet não tinha tanta força quanto hoje e que o acesso à música e à divulgação era mais limitado, por isso tinha menos espaço pra lixo. É um argumento um tanto elitista, mas faz sentido. Sem contar que hoje o hype é mais descarado que nunca. Uma coisa é o mau gosto característico da geração emuxa. Mas pelo menos o público que estava lá vibrava quando apareciam Fresno, NX Zero e outras porcarias do gênero. Já o tal do Bonde do Rolê não é apenas uma piada de mau gosto, muito ruim e muito ridícula. (Não ridículo no sentido de tão ridículo que é legal, como o hard rock. Ridículo simplesmente). Era uma banda que não empolgava ninguém e que ainda levou umas vaias.
O problema da MTV Brasil é que lá tá cheio de trintão e quarentão que se acha garoto. É aquela coisa que eu falei sobre crescer, as pessoas acham que têm que ser adolescentes a vida inteira, porque quem cresce é velho, chato e careta. Então eles tentam fazer alguma que atinja os adolescente ao mesmo tempo que tentam "sofisticar" a premiação. Então ao mesmo tempo que colocam um tributo a uma baiana que ninguém de menos de 25 anos conhece, colocam um prêmio pra vídeo mais bombado no You Tube. Óbvio que o tiro sai pela culatra e no fim sai uma tosquice que não agrada nem a gregos e tampouco a troianos.
A única coisa boa de toda a noite foi um clipe no estilo "We are the world" do hit-piada "Furfle feelings" do ótimo Marcelo Adnet, que passou a cerimônia toda sendo boicotado pelo invejoso do Marcos Mion. Há cinco anos Mion era o Adnet, mas subiu pra cabeça e ele perdeu a graça. Vamos torcer para que o querido da hora seja mais esperto.
segunda-feira, 29 de setembro de 2008
Pretty. But what's the point?
- E ele pegou a miss.
Pois é, diz a fofoca que o tal governador pegou a vice-miss universo. Tosca. Tosca, tosca, tosca. O que tem de bonita tem de tosca. Porque além de contar com o já citado em seu currículo amoroso, a moça parece que vai casar com dos irmãos daquela banda que jura que é jura ser o Bee Gees nacional. Deus dá asas a cobra mesmo! Ah, eu com aquela beleza toda beleza toda lá queimar meu filme assim!
Isso me fez pensar na infinidade de mulheres bonitas com caras nada a ver. Caras nada a ver não são caras feios, porque há feios extremamente charmosos e interessantes, assim como há lindos extremamente babacas (Não vou dar exemplos porque texto fofoqueiro é assim mesmo, a gente só conta o milagre e o resto it's up to you). Faz tempo eu li numa coluna de fofoca metida a politizada (?!) que sai num grande jornal paulistano que a rainha da bateria de uma escola de samba estava há oito anos sem comer pizza pra manter o corpão. Oito anos!!!
Na hora eu pensei que a vida sem pizza não deveria vale a pena, mas agora que eu ando numas de dieta e malhação, andei reconsiderando. O problema é que a boazuda em questão namora aquele pagodeiro que foi em cana por associação com o tráfico. Aí é que eu digo, sobre ela, sobre a miss e sobre várias dessas moças sem critério: ser linda pra quê?
Ok, não me venha com sermão de que as mulheres também ficam bonitas pra si mesmas e não só pra arranjar homem que isso só é verdade em parte. A gente fica bonita pra arranjar homem (ou mulher, se preferir) e pra fazer inveja pra outras mulheres e, de vez em quando, pra ficar satisfeita por sentar sem que a barriga tenha três dobras. Só que a única coisa boa de ter uma barriga que não tem dobrinhas é se tiver alguém que te deseje ou te inveje. Dito isso, acrescento que sou mais eu com as minhas dobrinhas. Pelo menos o meu homem é interessante. E gato.
domingo, 28 de setembro de 2008
That's how people grow old
Comentei isso com uma amiga. Ela me disse que quando a gente tem que fazer supermercado é que vê que crescer é uma merda. Estranho isso. Outro dia eu falei pra outra amiga que acho ridículo essas coisas que fazem em casamentos de distribuir óculos de plástico colorido, boás e perucas. Ela (que é solteira, diga-se) me disse que vai ver que as pessoas fazem isso porque o casamento é uma coisa muito séria e é um jeito de ser criança pela última vez. É então que eu penso no mau que o romantismo continua fazendo pras pessoas.
Eu não sei quanto a você, leitor, mas eu não tenho a menor saudade da aurora da minha vida, da minha infância querida e dos anos que não voltam mais. Muito menos da adolescência. Se tem uma coisa que eu gosto é de ser adulta. Demorei mais de 25 anos e não vejo o menor sentido nesse saudosismo boboca.
Eu me casei e não fiquei careta, pelo menos não mais do que já era antes disso. I'm pretty much the same person, como diria o Belle and Sebastian. Eu ainda saio com meus amigos e danço até as 5h da manhã como se não houvesse ninguém olhando e me apaixono por pessoas, coisas e idéias - principalmente pelas idéias, a gente sempre se apaixona por idéias, de pessoas, de bichos e de coisas. Hoje eu assisti a um filme incrível, Estamira, e ele me arrebatou totalmente, tive que ligar pra uma amiga e falar de como me afetou. A vida adulta não mitiga a paixão, nada mitiga a paixão, só você mesmo. E nem preciso dizer que se você reduz paixão a sentimentos românticos-carnais somente, bem, você não entendeu nada e isso me faz sentir um pouco de pena.
A mulher que dá título a esse documentário é uma criatura fascinante. É claro que cada um vai enxergar a situação com os óculos que lhe convém, inclusive eu faço isso. Tem gente que olha e só vê miséria e sente peninha. Esses, coitados, não entenderam nada, não conseguem ver nada além do que está posto. Tem gente que vai ter olhares psicanalíticos e vai a todo custo classificar Estamira, vão querer medicar, tratar, normalizar e dar remedinhos. Mas Estamira está além disso tudo, ela não é como nós. Estamira é pura intensidade, é o amor fati e é também um corpo sem órgãos que chegou ao seu limite pra acabar com o juízo de Deus mesmo. Estamira fala que a morte é dona de tudo. Brilhante. Estamira não tem medo da vida. Por isso quando alguém me fala em saudosismo da infância eu tenho um ataque, porque se você chama isso de vida, baby, eu acho que há algo muito errado com você.
Até me passa pela cabeça que de repente essas pessoas tiveram infâncias e adolescências felizes, sei lá, tem de tudo nesse mundo. Não que eu tenha sido miserable a vida inteira, mas eu jamais concordarei com aquela música que fala da "pureza da resposta das crianças". Primeiro porque as crianças em geral são umas pestes, segundo porque a vida não é bonita, é bonita e é bonita. A vida é o que fazemos dela e o tempo é curto demais pra esses saudosismos bestas. É, fazer supermercado é uma merda. Sim, o casamento muitas vezes é um saco. Mas não diga que crescer é ruim, isso me ofende. I don't wanna grow up só fica bem na música dos Ramones.
sexta-feira, 26 de setembro de 2008
Ai, meu São Bakunin!
Eu moro em casa e agora que estamos em época de campanha eleitoral minha garagem vive lotada de santinhos que o pessoal das campanhas joga pela grande. É insuportável, mas, coitados, essas pessoas ganham uma miséria pra distribuir esses papeizinhos e precisam se livrar deles. Provavelmente eu faria a mesma coisa. Sou contra o uso dos santinhos: suja a cidade e gasta papel. Mas até aí eu também sou contra o sistema eleitoral, a idéia de representatividade e ao Estado, então o santinho é o menor dos meus problemas.
Agora, quer me tirar do sério, me manda propaganda de candidatos por e-mail. Tenho uma boa tolerância pra porcarias enviadas pela web: piadas, power point, mensagens de "sabedoria", correntes. Em geral apago sem ler. Mas propaganda de candidato me irrita. Primeiro porque já não basta a minha garagem suja e ser bombardeada por isso em todos os lugares, ainda sou obrigada a ver nome de candidatos na minha caixa de e-mail. Segundo, porque eu sou anarquista. Todo mundo que me conhece sabe disso, se você tem meu e-mail sabe disso. Ora, não se manda e-mail de candidato pra uma pessoa que não vota. Isso é provocação!
Hoje recebi um e-mail de uma moça que eu nem conheço direito sobre o candidato que ela votará para prefeito. Eu ia apagar, mas resolvi dar uma resposta meio mal-educada antes: “Eu voto nulo. Por favor, não me mande mais esse tipo de e-mail”. Ah, faz favor! Eu não te conheço, não me interesso nas suas razões pra votar em alguém e não acho que isso te dê o direito de invadir meu e-mail com essas porcarias. Afinal, eu não estou mandando mensagens sobre o voto nulo pra ninguém. É, me deixa em paz. E vote nulo!
quinta-feira, 25 de setembro de 2008
Mens sana, corpore sano. Tá, mas quem limpa a minha casa?
Eu vejo essas revistas aí que promovem o mito da supermulher e sempre acho graça. Porque se fosse fazer tudo o que eles mandam, não precisa só precisaria ser rica, precisaria também ter um dia de 40 horas. E ter empregada, claro. Ou um exército de criados: um para cuidar do gato, um pra cozinhar, um pra pagar as contas na rua, um pra limpar a casa. Se fizéssemos tudo o que manda a Nova, a Boa Forma e afins, passaríamos boa parte do dia passando cremes no corpo e no cabelo, fazendo ginástica e indo ao banheiro. É, porque tomando toda a infinidade de chás pra emagrecer verde, chá branco, chá do Daime... teríamos que fazer xixi a cada cinco minutos. Isso sem contar os dois litros de água diários mínimos.
Longe de mim tentar ser uma "mulher de nova", essa criatura robótica fictícia e abominável. Só pra terminar o mestrado, comer direito e praticar uma horinha de atividade física diária eu já fico cansada e a minha casa, um caos. O que eu fico passada é que tem muita mulher correndo atrás desse modelo bisonho. Mas aí já é um caso de mens insana.
quarta-feira, 24 de setembro de 2008
Wolf like me
É como ter um diabo por dentro.
Não, você não tem idéia do inferno que é ser eu.
Não me diga o quanto a vida é boa,
nem me enumere os motivos que tenho para ser feliz,
levantar as mãos para o céu e agradecer.
Eu sei de todos eles
e nenhum deles é capaz de acalmar
este cão feroz que reside em meu peito;
o demônio que ruge e que me empurra para a destruição.
Não importa os motivos que eu tenha para ser feliz,
- e eu o sou, Deus, eu o sou e boa parte dos dias;
há sempre períodos em que tenho vontade de enfiar uma furadeira na cabeça
e acabar com tudo.
São dias que vem e vão, vão e voltam
eu simplesmente não posso impedi-los,
eu simplesmente não posso evitar.
Não me sugira remedinhos, pílulas mágicas da diversão sem culpa,
entorpecimento dentro da legalidade,
fábrica de zumbis.
Não me receite terapia, um hobby ou arranjar um emprego. Quem você pensa que é pra me recomendar alguma coisa?
Não me julgue, não me analise. Não me classifique,
coisa interpretável, passível de receitas prontas, fórmulas, normalização.
Se quiser, dê-me sua mão. Fora isso, deixe-me em paz.
Não quero sua piedade, não quero soluções e respostas. Isso só eu mesma poderia dar.
Mas ainda não sei, duvido que venha saber um dia.
Tudo o que posso fazer é conviver isso, sozinha.
Não, você não tem a menor idéia do inferno que é ser eu.